domingo, 15 de novembro de 2009

O que é um portefólio:

O que é um portefólio:

Várias definições têm sido apresentadas para portefólio de aprendizagens, como por exemplo, “uma colecção organizada e devidamente planeada de trabalhos produzidos por um aluno ao longo de um dado período de tempo, de forma a poder proporcionar uma visão tão alargada e pormenorizada quanto possível das diferentes componentes do seu desenvolvimento (e.g., cognitivo, metacognitivo, afectivo, moral)” (www.des.min-edu.pt, 01/10/25); ou ainda e mostrando a evolução que sofreram, “Os portefólios têm sido um conjunto de separadores/pastas com papéis, desenhos, fotos…Hoje, é possível arquivar toda essa informação e muito mais num CD.
No entanto e no âmbito da formação de professores, Alarcão e Tavares definem o portefólio reflexivo como “um conjunto coerente de documentação reflectidamente seleccionada, significativamente comentada e sistematicamente organizada e contextualizada no tempo, reveladora do percurso profissional” 2003: 105).
Apresenta-se como um instrumento rigoroso, pois permite aos professores compilar, de forma contínua e aberta, os seus trabalhos, considerando também um conjunto de conhecimentos e competências; permite ainda que o professor se vá posicionando e auto-avaliando através de reflexões que vai produzindo, à medida que se vai redescobrindo. Exige um trabalho contínuo no processo de descoberta, produção, compilação e organização e constitui, para o professor, a sua aprendizagem e a sua formação, entendida como um continuum em permanente construção.
Nesse sentido, considera-se que o portefólio é “um meio de desenvolver (…) a capacidade de reflectir sobre o que fez e como fez e de lhe dar maior autonomia para tomar decisões, quer na selecção dos materiais constituintes do portefólio, quer na sua organização, permitindo assim atribuir ao aluno um papel mais interveniente na avaliação.” (Clarke, 1999 cit in Pinto, Jorge e Santos, Leonor, 2006. pp148-149).

O educador reflexivo

O desejo de compreender o que acontece à sua volta, leva o ser humano a usar a sua inata capacidade de reflectir. Podemos, assim, entender a prática reflexiva como o questionamento da realidade em que está inserida. Na educação, a reflexão consiste numa acção que leva à reestruturação de práticas educativas para o melhor atendimento e desenvolvimento global da criança.
Durante o percurso formativo, as conquistas e possíveis problemas que possam surgir, devem ser reflectidos de acordo com a realidade/ambiente educativo em que se inserem, tentando proporcionar aprendizagens significativas para cada elemento do grupo. O portfólio reflexivo vai-se tornando num «diário pessoal», que acompanha os formandos, ajudando-os a reflectir sobre estratégias, situações, contextos e metodologias. É através do confronto entre o que pensamos e o que colocamos em prática que ocorrem as reestruturações das práticas pedagógicas do profissional educativo. Com base nessas reflexões, o profissional, em conjunto com os seus colegas, encontra soluções para as questões, tornando-se assim um ser questionador mas, simultaneamente, um agente activo e implementador de mudança. A reflexão não passa somente pelo «diário pessoal», mas também, pela partilha de angústias, e interrogações que surgem com os parceiros educativos.
A construção do portfólio reflexivo serve assim para estimular a prática reflexiva do profissional, contribuindo para uma construção contínua de novos saberes, fazendo com que se alterem ou reestruturem possíveis práticas.
Neste sentido a utilização de portefólios na formação pode vir a constituir «(...) um exercício continuado e crítico de construção de conhecimento acerca do próprio conhecimento, dos saberes específicos da sua profissionalidade e, sobretudo, sobre si próprios enquanto pessoas em desenvolvimento» (Sá – Chaves, 2000: p.20).
Com o intuito de enriquecer a sua intervenção educativa, centrando-a no desenvolvimento global e harmonioso da criança, o educador deverá ser um profissional com espírito crítico, reflectindo individual e colectivamente, tendo em conta várias perspectivas – pais, comunidade educativa e meio envolvente.
Ser professor reflexivo significa ser um profissional que reflecte sobre o que é, e o que realiza, o que sabe e o que ainda procura, encontrando-se em permanente atenção às situações e contextos em que interage.

Enquadramento desta acção:

A necessidade de melhorar o ensino do Português na educação básica está solidamente fundamentada nos resultados de todos os projectos internacionais em que Portugal participou (Reading Literacy - IEA, 1992, PISA 2000; 2003), nos estudos nacionais (A Literacia em Portugal, 1995), nas provas nacionais de aferição (2000 a 2005) e, mais recentemente, nos exames nacionais do 9.º ano (2005). Em reforço da premência da tomada de medidas urgentes que melhorem os desempenhos dos alunos em competências referentes ao domínio da língua materna, assinalam-se os objectivos referenciais (benchmarks) estabelecidos para a União Europeia, na Cimeira de Estocolmo de 2001, que apontam para a urgência do decréscimo de maus leitores de 15 anos para valores de 15.5% em 2010. O quadro 1 permite uma comparação clara da situação nacional, de acordo com os dados mais recentes do PISA 2003.

OCDE 19.1%União Europeia 19.8% Portugal 22%
Quadro 1- Maus leitores (desempenhos abaixo do nível 1, numa escala de -1 a 5 )Fonte: PISA 2003

Para além dos desempenhos abaixo do nível 1, que caracterizam os maus leitores, um olhar mais atento sobre os dados do referido estudo revela que 48% dos jovens portugueses de 15 anos apenas possuem conhecimentos básicos de leitura que lhes permitem, no máximo, localizar uma informação no texto ou identificar o tema principal do que leram. Isto significa que um tão baixo nível de domínio da língua escrita no final da educação básica deixa comprometido definitivamente o sucesso profissional e académico da população em causa.

Assim sendo, “O Programa Nacional de Ensino do Português (PNEP) é uma iniciativa que pretende actualizar e aprofundar os conhecimentos científicos e metodológicos dos professores no que respeita ao ensino da Língua Materna no Ensino Básico.
A sua finalidade central é proporcionar a reflexão sobre as práticas dos professores e o aprofundamento de conhecimentos à luz dos resultados da investigação sobre o desenvolvimento linguístico da criança e sobre as aprendizagens da língua no Ensino Básico.
Os princípios orientadores da formação baseiam-se no desenvolvimento das competências específicas enunciadas no Currículo Nacional do Ensino Básico. Para além das competências referentes ao ensino da língua (nos seus modos oral e escrito), esta formação contempla também o uso das TIC ao serviço da aprendizagem da língua.” (DGIDC – Direcção-Geral de Inovação e
de desenvolvimento curricular)

Este programa de formação define-se em torno de um núcleo duro de temáticas (desenvolvimento da linguagem oral; o ensino da leitura; o ensino da expressão escrita; a utilização do computador como recurso de aprendizagem da língua por adultos e por crianças), temáticas estas que incorporam os resultados da investigação científica que se desenvolve em vários campos do saber que tratam da linguagem.
Tenta-se, assim, evitar a deriva de uma selecção das disciplinas da formação que só muito remotamente se reportam à prática profissional, lógica que sabemos presidir a muitos currículos da formação inicial. Aliás, constitui um dos objectivos deste programa “contagiar” a formação inicial de professores de modo a que a esta seja alimentada pela investigação e desenvolvida em estreita relação com a formação contínua, especializada e pós-graduada em áreas relevantes para a finalidade em questão.

Estrutura do PNEP:

O, PNEB assenta, particularmente, no desenvolvimento das cinco competências específicas: compreensão e expressão do oral (capacidade para atribuir significado a discursos orais em diferentes variedades do português, bem como capacidade para a sua produção); leitura (implicando a capacidade de descodificar um texto escrito e dele extrair informação e construir conhecimento); expressão escrita (incluindo não só o conhecimento do sistema de representação gráfica adoptado mas também o desenvolvimento dos processos cognitivos e linguísticos necessários ao planeamento, formatação linguística, revisão, correcção e reformulação do texto escrito) e conhecimento explícito da língua (desenvolvimento de uma consciência linguística que permitirá o controlo, uso e selecção das estratégias, instrumentos e regras mais adequadas, tanto na compreensão como na expressão, em cada situação de comunicação).


- Compreensão oral

Capacidade para prestar atenção a discursos em diferentes variedades do Português, incluindo o Português padrão;
Capacidade para extrair e reter a informação essencial ao discurso;
Familiaridade com o vocabulário e com as estruturas gramaticais da língua portuguesa.

-Expressão oral
Mobiliza vocabulário diversificado e estruturas sintácticas de complexidade crente;
Expressão de forma confiante, clara e audível, com adequação ao contexto e ao objectivo de controlo da voz ao nível da articulação, da velocidade de elocução e curva melódica;
Capacidade de desempenhar, de uma forma cooperativa, o papel de locutor, em contexto escolar;
Pesquisa e recolhe produções do património oral;
Capacidade de formatação de discursos de complexidade crescente.

-Leitura

Automatização do processo de decifração;
Domínio dos mecanismos básicos de extracção de significado de material escrito;
Capacidade para perseverar na leitura de um texto.

-Expressão escrita
Conhecimento de técnicas básicas da organização textual;
Utilização de técnicas de recolha e organização da informação;
Domínio das técnicas instrumentais da escrita;
Capacidade para produzir pequenos textos com diferentes objectivos comunicativos;
Domínio de técnicas básicas de organização textual;
Conhecimento de regras gramaticais básicas (em situação de uso).

Reflexão do 1ª Módulo de Formação

“Aprender é a única coisa de que a mente não se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende.”
Leonardo Da Vinci

Que expectativas?

Ao entrar nesta acção, não sabia ao que vinha, como aliás, a maioria dos meus colegas. Devo dizer que pensei, seriamente, nas horas a fio que teria de passar a trabalhar para esta acção de formação, as quais deveria estar a dedicar à minha família. Pus, então, em questão se esta viria a ser igual a tantas outras, com as quais nada aprendi. Senti-me, perdida e andei “à deriva” sem saber muito bem o caminho que deveria percorrer…

No final do segundo dia, a minha perspectiva já se havia alterado um pouco, mas a confusão na minha cabeça continuava instalada. Como iria conseguir conciliar a minha vida familiar, o trabalho com a turma, que não se resume à sala de aula, os projectos em que estou envolvida e esta formação, com a qual não me sentia à vontade com o seu formato?
Desde então, com o aprofundar de algumas leituras sobre o tema, tenho vindo, aos poucos, a nortear a minha acção e a entusiasmar-me, essencialmente, com a reestruturação da minha prática lectiva.
Acima de tudo, pretendo que esta formação PNEP contribua para o enriquecimento da minha acção, enquanto docente, aprofundando alguns conhecimentos sobre o que se ensina nas aulas de Língua Portuguesa e, concomitantemente, sobre os processos que ajudam os discentes a desenvolver e adquirir competências. Pois, a apresentação das inúmeras propostas, renovadas e inovadoras, prepara os professores para darem respostas adequadas nas diversas situações com que se confrontam na escola, promovendo o sucesso dos alunos.
O que pretendo, essencialmente, é que esta formação, com uma componente teórica e prática, tenha reflexos nas minhas práticas e, sobretudo, nos resultados dos alunos, fazendo com que a negra visão, mencionada nos estudos internacionais, sobre a iliteracia dos alunos portugueses, seja algo que, a curto prazo, pertence ao passado, promovendo, uma melhoria dos níveis de compreensão da leitura, da expressão oral e escrita. Pretendo, também tornar a aprendizagem da língua um desafio interessante para mim e para as crianças.
Espero que este trabalho formativo desenvolva entre os participantes uma cultura de colaboração, contribuindo, para o processo (auto) formativo.

Numa apreciação global considero que novo programa apresenta vantagens significativas em relação ao actual programa:
· Representa de uma forma muito mais concisa e esclarecedora o que pretende alcançar. Os descritores de desempenho e as notas contribuem para uma melhor compreensão;

· A progressão das aprendizagens da Língua, privilegiando a articulação vertical entre ciclos de ensino, esbatendo assimetrias e proporcionando as bases para um futuro sucesso dos alunos;

· A aprendizagem constrói-se em aquisições anteriores, que se vão alargando, especializando, complexificando e sistematizando;

· A transversalidade está bem patente e valorizado, o que significa que o português está intimamente relacionado com o sucesso escolar em todo o Ensino Básico;

· Contribui para a formação e reflexão sobre a intencionalidade educativa, para a inovação e mudança na educação e para o espírito de partilha e cooperação entre colegas;

· Despoletar múltiplas reflexões e incentivar uma criatividade crescente, com repercussões positivas no desempenho profissional;

· A valorização da necessidade de existência de contextos e de recursos de apoio à aprendizagem pela sua definição e dinamização;

· Condensa num único documento as competências, conteúdos e descritores de desempenho;

· A integração do espaço "Notas", que define possíveis procedimentos a adoptar, actividades a implementar, o recurso a materiais específicos e orientadores (por exemplo: dicionário terminológico);
· Integra a nova terminologia linguística;
· A utilização das Tecnologias da Informação e da Comunicação como ferramenta de aprendizagem
· A valorização das competências da compreensão do oral e da expressão oral;

Apesar de se reconhecer que um programa, apenas por si, nunca poderá alterar as práticas dos professores, ele pode facilitar ou dificultar a realização de mudanças significativas. Estas mudanças poderão efectivamente ocorrer quando uma estrutura coesa estiver preparada para a receber. Parece-me urgente reforçar a formação dos professores no Ensino do Português, desde o ensino superior, à formação contínua e uma grande reestruturação aos manuais escolares. É de realçar que a Formação do PNEP, é um elo fundamental para este projecto, cujos princípios orientadores se cruzam.
O projecto em discussão apresenta melhoramentos na estrutura curricular atendendo ao desenvolvimento cognitivo, social, cultural e emocional da criança, factor essencial para o desenvolvimento de competências.
A par das iniciativas já referidas, é preciso garantir que a política educativa invista na criação de condições nas escolas para que se realize um trabalho de qualidade e a implementação do programa se faça com sucesso a par das iniciativas já referidas.
Em jeito de conclusão, penso que foi uma mais valia entrar neste projecto, uma vez que este vai ser um espaço onde irei, com certeza gastar um tempo enriquecedor, pois, como referiu Antoine de Saint-Exupéry "Foi o tempo que gastaste com a tua rosa é que a fez ser tão importante, " É com este espírito que enceto a minha reflexão, dado o enorme percurso que julgo ter pela frente e a progressiva aprendizagem de um caminho contínuo sem fim aparente.

O porquê deste Portefólio

No âmbito do Programa Nacional de Ensino do Português (PNEP), foi directriz principal a construção de um portefólio que organizasse, de forma clara, todo o trabalho desenvolvido durante a formação.A ideia de construir este portfólio da formação constitui, como já acima referido, um factor de auto-reflexão e introspecção muito importante.

O portefólio, como instrumento de Aprendizagem e de Avaliação, permite-me demonstrar não só uma reflexão/avaliação/observação do que foi desenvolvido na acção de formação, como também, uma reflexão geral e particular das minhas conclusões/opiniões da prática pedagógica.
Enfatizarei alguns pensamentos, na expectativa de enriquecer e tornar mais interessante este portefólio. Aqui vou debruçar-me sobre a minha filosofia de ensino, sobre aspectos e temas debatidos ao longo da formação.