sexta-feira, 25 de junho de 2010

Reflexão do IV Módulo



1 de Junho de 2010

No Módulo IV, foram focados e reflectidos dois aspectos essenciais do Novo Programa. Por um lado, a dificuldade inerente ao acto de escrever e por outro, a importância e organização das sequências didácticas.
O Novo Programa vem reforçar a diferente perspectiva e os cuidados que devemos ter ao ensinar a escrita, sendo esta uma actividade que não é confortável nem prazerosa. Pelo contrário, transpor para o papel as emoções e sentimentos, para que o leitor as possa sentir é uma tarefa árdua
A escrita é uma actividade muito complexa e coloca grandes desafios à criança, exigindo-lhe: a formulação de ideias e a sua tradução numa linguagem perceptível; a adequação do conteúdo aos objectivos do escritor e às necessidades do leitor; a codificação de fonemas em grafemas num contexto verbal ortográfico; a existência de uma imagem mental eficaz da sequência gráfica a realizar pelo escrevente e a utilização da pontuação na segmentação de unidades lógicas sintáctica e semanticamente. A dificuldade da escrita trabalha com a questão do acto de escrever e toda a sua estrutura gramatical, ortográfica fonética, pois a construção da escrita é um dos últimos processos de aprendizagem e um dos mais complexos a ser adquirido pelo homem.
Na aprendizagem da escrita a criança confronta-se com as dificuldades decorrentes do facto da escrita ser uma actividade individual, de não se poder apoiar no contexto comunicativo e de exigir estratégias de textualização e revisão, morosas e muito diferentes da oralidade.
Para que o professor possa ensinar a escrever, ele próprio tem que passar pelas dificuldades sentidas pelos alunos, como referem, pois estas são da mesma natureza das dificuldades que nós, adultos, experimentamos quando escrevemos. Passando, continuamente, pelo penoso processo da escrita, o professor experimentará os aspectos que mais bloqueiam os alunos para melhor os entender e os poder ajudar de uma forma mais eficaz.
De facto, reflectindo sobre estas palavras, sempre que tenho de escrever algo, revejo-me nesta situação. Perante uma folha em branco, tenho um sentimento de incapacidade, de falta de criatividade e de imaginação. As palavras desaparecem. Escrever, é de facto, também, penoso para mim, sobretudo a fase da revisão do texto, a qual tento, muitas vezes, evitar, com o receio de o ter que reformular. É este, igualmente, o sentimento vivido pelos nossos alunos quando lhes dizemos que têm de escrever.
Este Módulo fez-me pensar nos tantos erros que ainda praticava quando pensava estar a ensinar a escrita aos meus alunos. O facto de querer que escrevessem muitos textos, que nem sempre iam ao encontro das suas necessidades e interesses, não os ensinava a escrever, pelo contrário, afastava-os da escrita, tornando-a num acto ainda mais penoso. A preocupação em corrigir os textos, assinalando os erros, expõe, apenas as fragilidades dos alunos e aumenta os seus receios.
Esta reflexão, em torno da dificuldade da escrita, fez-me reforçar a ideia da necessidade de desafiar o aluno a escrever, a partir de intenções comunicativas que surjam em contexto, dando lugar à verdadeira expressão do eu, através da experimentação de diversas situações do mundo da escrita. O professor não deve exercer um juízo final sobre o texto produzido pelo aluno, sob pena de o desencorajar. Deve, pelo contrário, fazer ver que as primeiras tentativas são imprecisas e incompletas, fazendo parte da natural evolução do processo da escrita.
Na minha prática lectiva, tenho tentado implementar algumas das situações focadas no Novo Programa para o ensino da escrita e os resultados são visíveis. Os alunos produzem menos textos, mas de melhor qualidade. Parte-se da planificação do texto, que ainda é feita em colectivo; seguindo-se a fase da textualização, a revisão do texto, por mim e pelos colegas, em diferentes etapas. Não foi uma tarefa fácil, uma vez que os alunos não estavam habituados, mas a evolução tem sido bem visível.
Outro assunto focado neste Módulo foi, novamente, a sequência didáctica. Apesar de terem sido esclarecidas algumas dúvidas, muitas ainda persistem. Numa sequência didáctica trabalha-se por competências, ao contrário das nossas planificações actuais, que são elaboradas por conteúdos, o que à partida, comporta grandes alterações na nossa forma de trabalhar.
Na elaboração das sequências didácticas é necessário ter em conta vários aspectos: dar o mesmo peso às diferentes competências, ao logo do ano, sendo que todas elas têm a mesma importância; parte dos pré-requisitos dos alunos; as actividades são planeadas por etapas sequenciadas por níveis crescentes de aprendizagem.
Quanto a mim, esta não é uma tarefa fácil, pois requer muito tempo e dedicação para que possamos montar um conjunto de actividades que favoreçam o desempenho dos alunos. Contudo, são visíveis as suas vantagens, portanto, é preciso deitar mãos à obra e dar o nosso melhor.

Ana Fonseca

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