11 Fevereiro 2010
Após o III Módulo da formação, pude reflectir sobre a importância da leitura, sobre a necessidade de que crianças desenvolvam o hábito e o gosto de ler e sobre o papel da escola em formar leitores competentes.
Muitas vezes, nas escolas, com a pressa de ensinar a ler e de trabalhar todo o programa, esquecemo-nos um pouco de criar, nas crianças, o gosto pela leitura.
A falta de gosto pela leitura poderá ser a base da grande dificuldade que muitas crianças têm de aprender a ler. Não será, em parte, por culpa da escola, por nossa culpa? Pela rotina dos textos e do tipo de trabalho que se faz com estes mesmos textos, que é quase sempre do mesmo género? Primeiro a leitura, depois as perguntas sobre o texto e de seguida o funcionamento da língua, servindo o mesmo texto para trabalhar o maior número de conteúdos.
Outro aspecto importante a reflectir é o papel dos manuais escolares como mediadores entre os programas e a prática docente. Quanto a mim, é indiscutível a necessidade da utilização dos manuais, no entanto, o hábito de se utilizar apenas o manual implica que, na realidade, acabam por ser os manuais a definir as coordenadas de uma boa parte da nossa prática pedagógica, em certas circunstâncias de forma bem mais concreta e decisiva do que os próprios programas em si, o que compromete o acesso aos diferentes tipos de texto, acabando por ser o texto narrativo o mais trabalhado. Esta situação reflecte-se na dificuldade que os nossos alunos sentem, aquando da realização das PASE, quando se deparam com textos informativos e instrucionais.
Esquecemo-nos, também, que a leitura deve ser praticada como actividade prazerosa e significativa desde o início do processo de aprendizagem.
A leitura não deve ser vista apenas como descodificação, mas como um processo interactivo de co-produção de sentidos.
Esta deve ser considerada como actividade constitutiva da vida dos leitores em sentido amplo.
A leitura é uma actividade que merece ter lugar central na prática escolar e assim ser ensinada por todos nós, qualquer que seja a matéria.
Qual o nosso papel?
Em primeiro lugar, o professor deve ter em conta o processo de desenvolvimento da aprendizagem da leitura e da escrita; deve acreditar que todas as crianças podem aprender a ler; avaliar continuadamente o progresso das crianças na leitura; conhecer e usar diversas abordagens no ensino da leitura; proporcionar às crianças materiais e textos variados e dar ajuda estratégica a cada criança.
Na realidade, esta formação tem servido para reflectir sobre as minhas práticas, e, apesar de já trabalhar alguns aspectos do Novo Programa, sinto que muito tenho ainda que fazer, essencialmente, quanto ao uso de textos informativos e instrucionais.
Será uma tarefa fácil, mudar toda uma forma de agir?
Em primeiro lugar, é preciso querer mudar e não criar resistência face à mudança. O que, naturalmente, nos trará um acréscimo de trabalho, mas valerá a pena se as crianças começarem a gostar de ler. E para isso contribui, de forma inegável, a nossa acção enquanto educadores.

Sem comentários:
Enviar um comentário